Quarta, 12 de Agosto de 2020
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Saúde Saúde mental

A dor por trás da doença

Para uma vida melhor, é imprescindível tomarmos consciência de que corpo e alma estão estreitamente ligados.

28/07/2020 06h39
Por: Denise Hahn
A dor por trás da doença

Não é de hoje que lidamos com a dor. O homem sempre se deparou com esse sentimento em vários momentos de sua vida. Na presença desse desconforto até hoje não fomos capazes de reconhecer uma maneira inteligentíssima do nosso organismo de manter o equilíbrio.  

A dor é o primeiro sinal que o nosso organismo emite de que algo não vai bem, uma vez que, nosso corpo reflete aquilo que as pessoas pensam e sentem. Quando não somos capazes de captar a mensagem à nós enviada, a dor pode tornar-se mais intensa, resultando num corpo adoecido.

Temos três vias para manifestar o sofrimento: o pensamento, o corpo e por meio da ação. Nem sempre conseguimos dar vasão as coisas que carregamos internamente. Quando nosso nível mental não consegue elaborar, organizar mentalmente alguma questão, nos deparamos com o problema da dor, conhecida como somatização.

Antes de qualquer coisa, cabe clarearmos sobre o que é doença. “Doença é uma perturbação do equilíbrio interior do ser vivo em sua interação com o ambiente que o cerca”. Somos um todo e não podemos ser fragmentados. Independentemente da doença, ela vai estar presa ao corpo.

Discorrendo sobre as doenças dentro do campo psicológico, podemos iniciar com um reconhecido dito de Freud: “O Homem não é senhor em sua própria morada”. Isso quer dizer que não domina seu pensar e sentimentos.

Um fato é só um fato!

SIM.

Cada pessoa reage as suas vivências segundo sua organização evolutiva mental. Todos nós temos uma forma característica e singular de reagir e somatizar aquilo que não conseguimos elaborar, uma vez que estamos conectados a nossa história de vida e bagagem genética, que trouxemos de nossos pais. Somos por assim dizer um todo, um aparelho complexo de interações que podem estar em equilíbrio ou não. Um trauma pode ser mais sofrido para uns e insignificante para outros. O que muda são os significados ou sentidos que carregamos internalizados. São os significados que nos fazem adoecer.

Nosso corpo teve grande importância na fase inicial de nossas vidas. Espera-se que tenha sido esperado, cuidado e acariciado pela mãe… Todas as vivências e sentimentos que temos nessa fase levamos conosco para toda vida.

Quando nos deparamos frágeis ou doentes, tendemos a voltar à condição de crianças. Desejamos amparo e cuidado, buscando acessar antigas vivências de proteção, procuramos a mãe que guardamos em nós.

Em relação as doenças, normalmente, “buscamos” enfermidades das quais semelhantemente já fomos portadores e que nos forneceram algum “benefício”. Alguns órgãos e partes do corpo, por terem sido cede de doenças de certos períodos cruciais do nosso desenvolvimento, ou por terem proporcionado especial zelo, ficou carregada de significação afetiva.

Inúmeros são os sintomas que parecem ser de alguma doença orgânica e que na realidade, correspondem a uma manifestação corporal, a doença, hora manifestada num determinado órgão está sendo a expressão de situações ligadas a todo contexto vivido pelo seu mensageiro. Contextos estes que ligam emoções, afetos e sentimentos.

Quando nos referimos ao contexto vivido ligado a emoções o tempo passa a ter um grande significado. Aquela úlcera, talvez o problema cardíaco ou até mesmo a gastrite podem ter se iniciado a algum tempo atrás decorrente de alguma perda afetiva, raivas contidas, e tantas outras possíveis sensações que no passado deixaram de ser expressas de forma natural.

Seja qual for a doença ela não se constituiu naquele momento. Muitas vezes o desenvolvimento e evolução tiveram início numa vivência anterior, ocasião em que enviamos uma “mensagem” para nosso sistema imunológico advertindo que algo deveria ser feito naquele sentido.

A fim de que não adoeçamos, necessitamos elaborar nossas questões e para isso, devemos conseguir falar sobre. Desta forma, é indispensável um bom aparato simbólico. Os adultos tem a subjetividade e o lado simbólico mais desenvolvidos, já as crianças são mais suscetíveis a doenças psicossomáticas, uma vez que, tem o lado simbólico ainda pouco desenvolvido e não conhecem outra forma de expressar suas questões, usam o corpo como meio de explanação e defesa.

Para uma vida melhor, é imprescindível tomarmos consciência de que corpo e alma estão estreitamente ligados. Nossas questões internas são responsáveis por grande parte do nosso bem estar, seja orgânico ou psíquico. Diante de qualquer doença sempre é aconselhável procurar a medicina, no entanto, nem em todos os casos ela é efetivamente eficaz. De fato, se a doença é uma doença da alma, a terapêutica a ser buscada não é medicinal, pois não se achará nada a ser tratado no corpo. O caminho é outro… Por meio de uma psicoterapia a pessoa terá à sua disposição um psicólogo que saberá dirigir na elucidação do significado real e subjetivo do sintoma.

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Denise Hahn
Sobre Denise Hahn
Psicóloga (CRP 07/27348) Bacharel em Psicologia pela Sociedade Educacional Três de Maio-SETREM. Pós graduada em Psicodrama pelo Instituto de Desenvolvimento Humano (IDH) Porto Alegre.
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