Terça, 22 de Setembro de 2020
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Saúde Coronavírus

Brasil supera 100 mil mortes por coronavírus. O total de infectados soma mais de 3 milhões

O Brasil é o segundo país em todo o mundo a atingir esse indicador com o Covid-19.

09/08/2020 16h21
Por: Redação
Brasil supera 100 mil mortes por coronavírus. O total de infectados soma mais de 3 milhões

O Brasil superou, neste sábado (8), o número de 100 mil mortes por Covid-19, desde o início da pandemia do novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 905 óbitos. O total de mortes é de 100.477.

Dos 3.012.412 casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, 2.094.293 (69,5%), mais da metade, são de recuperados. Desde sexta (7), foram anotados 49.970 novos casos informados pelas secretarias de saúde. O balanço aponta ainda que o número de pessoas em acompanhamento é de 817.642 (21,1%).

A primeira vítima foi uma mulher de 57 anos, que morreu em São Paulo em 12 de março – a morte foi divulgada no dia 17 daquele mês. Desde então, foram menos de cinco meses até a marca de 100 mil mortes. O coronavírus deixou mortos em 3.692 dos 5.570 municípios brasileiros, ou 66,2% do total.

O Brasil é o segundo país em todo o mundo a atingir esse indicador com o Covid-19: em maio, os Estados Unidos chegaram a mais de 100 mil mortos, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. Hoje, são mais de 160 mil vítimas nos EUA. Da primeira morte, em fevereiro, à de número 100 mil, em 27 de maio, se passaram pouco mais de três meses.

Os números que colocam o Brasil em destaque negativo já superam o total de mortos em eventos como a Gripe Espanhola e a Guerra do Paraguai. Em outro comparativo, é possível apontar que apenas 324 dos 5.570 municípios brasileiros tinham, em 2019, mais de 100 mil habitantes, segundo o IBGE.

Famílias impactadas

São também, no mínimo, 600 mil pessoas impactadas: segundo estudiosos, o luto pode atingir de seis a dez pessoas por família. A pandemia impôs um sofrimento sem precedentes para centenas de milhares de brasileiros, que perderam entes queridos muitas vezes sem poder se despedir — velórios e enterros passaram a ter restrições para reduzir a possibilidade de transmissão do vírus.

São histórias tristes como a do casal Francisca, 64 anos, e José Ariston, 69 anos, do Distrito Federal, que estavam juntos havia 42 anos e morreram na última semana com 14 horas de diferença. Nenhum dos dois pôde ser velado; foram enterrados no cemitério do Gama. A família acompanhou o sepultamento a distância. Rose Castro, de Marília, o interior de São Paulo, tampouco pode estar com a família no enterro do pai, Orioswaldo.

Uma das questões que a pandemia impõe é como lidar com a dimensão das mortes. “Existe uma máquina de insensibilidade, e a gente tem o tempo todo o trabalho de reverter essa máquina de insensibilidade”, disse o psicanalista Tales Ab’Saber ao podcast O Assunto sobre as 100 mil mortes. “Se a gente fizer uma reflexão, a Guerra do Vietnã matou 59 mil pessoas em dez anos. A gente tem 100 mil brasileiros mortos em quatro, cinco meses.”

Perspectiva

O avanço da doença segue sem perspectiva de diminuição no Brasil: em 34 dos últimos 37 dias (todo o mês de julho e o início de agosto) morreram mais de mil pessoas por dia, segundo indica a média móvel de mortes.

Fortaleza, no Ceará, é a capital em que há proporcionalmente mais mortes no Brasil. Lá, o isolamento social dificilmente é cumprido. O estado de Goiás também enfrenta a pandemia com dificuldades, assim como a aldeia indígena em Jacareacanga, no Pará.

“Nós chegamos a essa tragédia por um acúmulo de erros”, disse o médico Drauzio Varella. O médico lista alguns motivos: “Primeiro, nós não nos preparamos adequadamente para a chegada do vírus aqui, e, sabidamente, ele vinha”. Drauzio lembrou que, apesar das recomendações de cientistas sobre a necessidade de isolamento para conter a disseminação do vírus, houve “contradição” nas orientações dadas à população pelos governos estaduais e o federal.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a criticar o isolamento social, reconhecido como forma eficaz de contenção do vírus, e causou ainda aglomerações. “Todo o pessoal de ciência dizendo ‘o isolamento é fundamental’, e o governo federal apontando na direção oposta”, disse Drauzio.

A única maneira de combater a doença em grande escala, segundo os especialistas, é uma vacina, que ainda não está disponível. Na última quinta (6), o governo federal assinou medida provisória para viabilizar a produção no Brasil de 100 milhões de doses de uma das mais promissoras vacinas em teste, a chamada “vacina de Oxford”. O Instituto Butantan, de São Paulo, fechou acordo com o laboratório chinês Sinovac para produzir outra vacina bem-sucedida nos testes até agora contra o Covid-19.

Na quinta-feira, Bolsonaro falou sobre a iminência das 100 mil mortes. “A gente lamenta todas as mortes, já está chegando ao número 100 mil, talvez hoje. Vamos tocar a vida. Tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”, declarou, ao lado do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, em uma live.

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