Quinta, 24 de Setembro de 2020
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Saúde Coronavírus

Saiba por que o Brasil é considerado o “laboratório perfeito” para testar a imunização contra o coronavírus

Brasil é considerado por especialistas como uma "oportunidade de ouro" para pesquisas.

13/09/2020 10h20
Por: Redação Fonte: O Sul
Foto: PMPA/Divulgação
Foto: PMPA/Divulgação

Um dos países mais afetados pela pandemia do coronavírus, o Brasil se tornou um campo de provas de vacinas contra a covid-19.

O país, que tem mais de 4 milhões de casos confirmados de covid-19, é considerado pelos cientistas que estudam imunização como uma “oportunidade de ouro”.

Duas das vacinas consideradas as mais promissoras e avançadas contra o coronavírus estão sendo testadas no país: a da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e a da empresa chinesa Sinovac.

E outras duas, das farmacêuticas norte-americanas Johnson & Johnson e Pfizer receberam, recentemente, autorização das autoridades brasileiras para começar os ensaios clínicos no país.

Nesta semana, os testes com a vacina de Oxford foram suspensos após o adoecimento de um paciente que vinha recebendo a imunização em estudo — não foram divulgados detalhes das adversidades. Neste sábado, a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolve a vacina junto à universidade, anunciou a retomada dos testes. Em um comunicado, a companhia afirma que a Autoridade Sanitária do Reino Unido (MHRA na sigla em inglês) teria atestado ser seguro continuar os experimentos.

Diante dos testes com diferentes vacinas, autoridades esperam que os brasileiros possam estar entre os primeiros imunizados contra o coronavírus.

Até cogitam a possibilidade de produzir internamente essas vacinas e exportá-las para o resto da América Latina.

Mas por que o Brasil é considerado um “laboratório ideal” para que sejam feitos ensaios clínicos de vacinas?

Especialista em epidemiologia e imunização da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, Jon Andrus, que foi vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), afirma que altas taxas de transmissão comunitária do vírus, como acontece no Brasil, estão entre os principais critérios para poder testar uma vacina.

Ele explica que há também outras razões pelas quais o Brasil é considerado um cenário perfeito para a pesquisa sobre a imunização.

“Certamente, é necessária uma situação em que haja uma forte prevalência de uma enfermidade para poder provar a eficácia de uma vacina. Mas penso que no Brasil há uma tempestade quase perfeita para os ensaios, porque além da alta prevalência da covid-19, o país tem uma longa história de excelência em saúde pública, com instituições de pesquisas reconhecidas mundialmente, como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no Rio de Janeiro, que há décadas realiza pesquisas e ensaios”, afirma o especialista.

A Fiocruz tem participado ativamente das pesquisas e da produção da vacina de Oxford.

Outra instituição brasileira reconhecida mundialmente é o Instituto Butanta, de São Paulo, que está participando das pesquisas e da produção da vacina chinesa Sinovac.

Capacidade de produção

Um ponto no qual o Brasil se destaca é a experiência e força de seus programas nacionais de imunização e a sua tradição na produção de vacinas.

A fábrica de Bio-Manguinhos, da Fiocruz, é um dos maiores centros de produção de vacinas da América Latina. Nela são processadas milhões de doses de vacinas contra febre amarela, tuberculose, sarampo, entre outras enfermidades.

Já o Instituto Butantan é, atualmente, o principal produtor de vacinas contra influenza ou gripe no hemisfério sul, com capacidade para produzir 100 milhões de doses.

“É importante destacar que o Brasil tem um enfoque estratégico para se tornar autossuficiente na produção de vacinas”, diz Cristiana Toscano, integrante do grupo de especialistas para consulta da Organização Mundial de Saúde (OMS) referente a vacinas contra a covid-19.

“Há três décadas, os vários governos brasileiros reforçam e investem na capacidade pública nacional, por isso quase todos os laboratórios de vacinas são financiados com dinheiro público”, acrescenta Toscano, que é professora da Universidade Federal de Goiás, em entrevista à BBC News Mundo.

A maioria das vacinas no Brasil, ressalta a pesquisadora, é produzida localmente ou os especialistas tentam estabelecer mecanismos para transferência de tecnologia com grandes empresas farmacêuticas.

E é exatamente isso que está sendo negociado agora com as vacinas de Oxford e Sinovac: transferir a tecnologia ao país para que essas vacinas sejam produzidas localmente.

As vacinas

Tanto a vacina de Oxford como a Sinovac estão na fase 3 dos ensaios clínicos.

Os ensaios da primeira estão sendo feitos com 5 mil voluntários brasileiros. Já a segunda possui 9 mil voluntários.

Após a suspensão dos testes com a vacina nesta semana, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das entidades responsáveis pelos testes no país, divulgou nota para comunicar que ninguém apresentou reações graves no Brasil.

“Muitos já receberam a segunda dose e até o momento não houve registro de intercorrências graves de saúde”, informou a Unifesp.

Os acordos

Como parte dos acordos para as vacinas em teste no Brasil, o país receberá inicialmente a matéria-prima para realizar as etapas finais de produção.

Os dois acordos incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil, posteriormente, produza as vacinas desde a primeira etapa.

O acordo com a Oxford-AstraZeneca define que o governo brasileiro investirá U$ 127 milhões (quase R$ 700 milhões) em troca de tecnologia e equipamentos para que a Fiocruz possa produzir, inicialmente, 30 milhões de doses durante a fase de testes. Se a vacina for eficaz, o Brasil poderá produzir mais 70 milhões de doses.

Já o acordo entre a Sinovac e o Butantan oferecerá 120 milhões de doses aos brasileiros.

Autoridades já chegaram a afirmar que as vacinações de algumas pessoas podem começar no primeiro semestre de 2021 no Brasil. Alguns estudiosos, porém, não acreditam que o país conseguirá, até o fim do primeiro semestre do ano que vem, produzir uma grande quantidade de vacinas.

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