História de Três de Maio



Três de Maio é um município brasileiro estabelecido na faixa noroeste do estado do Rio Grande do Sul, pertencente a denominada Grande Santa Rosa, microrregião na qual apresenta grande relevância, sendo o segundo município mais populoso da mesma, mantendo-se apenas detrás de Santa Rosa. O município em sua extensão urbana é intitulado Cidade Jardim, haja vista a ornamentação das principais vias urbanas, continuamente adornados com canteiros de flores que estão sob incumbência e esforço do poder público municipal. Em sua região é aceito como referência em diferentes âmbitos, dando maior realce à esfera educacional e ao ramo industrial, que vem progressivamente se ampliando e se diversificando.


Imagem: Wikipedia

O território do município de Três de Maio, pertenceu sucessivamente aos seguintes municípios: Rio Pardo, entre 1809 e 1819, Cachoeira do Sul, entre 1819 e 1834 e Cruz Alta a partir de 1834. Decorridos quase quarenta anos, precisamente em 1873, o controle da região do município passou a ser responsabilidade de Santo Ângelo, que naquele momento era centro de um vasto município do qual, gradativamente, se emanciparam: Palmeira das Missões, São Borja, São Luiz Gonzaga, Ijuí e Santa Rosa.

Em 1913, chega Marino Geraldi, acompanhado de sua família, onde hoje está assentada a sede do município de Três de Maio. Marino foi o primeiro imigrante a residir naquele local que era, na época, habitado unicamente por índios e caboclos. Marino Geraldi e a família vieram do município de Tubarão, Santa Catarina. A mudança encaminhou-se em seu trajeto final, de trem até o município de Ijuí, local em que os poucos pertences e a família prosseguiram viagem, utilizando-se de uma carroça, até a localidade de Esquina Schultz, atual município de Independência. A partir deste local, o transporte de machados, foices, serrotes, enxadas e todo o pequeno enxoval como roupas, forros de cama e utensílios domésticos, como chaleiras, panelas, pratos, talheres e alimentos, foi efetuado através de cavalos cargueiros. Marino fazia a frente montado a cavalo, puxando os cargueiros e a esposa e as crianças seguiram a pé, carregando também algumas coisas, cujo peso, a idade e o tamanho físico permitiam suportar, sendo que a filha mais velha, Eulália, levava no colo o irmãozinho mais novo, Xavier. Marino e sua esposa Joaquina Filipina Wiebbeling, ao chegar no atual município de Três de Maio, estavam na faixa etária de trinta a quarenta anos e já trouxeram sete filhos: Eulália, Luís, Zafério, Ancelmo, Júlia, Bernardo e Xavier. Abrigaram-se em seus primeiros meses no local, em um mocambo de chão vermelho, contornado por pau roliço e coberto com capim, o qual foi comprado do índio José Bernardo, do qual também adquiriram uma pequena área de cultivo e alguns poucos animais. Com a chegada de Marino e sua família, o índio, José Bernardo, deslocou-se mais para o interior, tendo ido residir na localidade de Caneleira, atual município de Horizontina. Marino, alguns anos após a chegada, passou a residir na atual Rua Padre Cacique, estabelecida no Centro de Três de Maio, onde, no presente momento, está situada a rótula desta rua com a Avenida Avaí. Já em Três de Maio, o casal teve mais o filho Bernardo e duas filhas: Glória e Carlota. Marino e a esposa Joaquina realizaram o casamento civil, na data de 15 de janeiro de 1921, já no cartório que ali fora instalado na época, e que encontra-se registrado na folha 97 do Livro B-1, sob número 154, no atual cartório Tomasi. Quando da chegada em Três de Maio, no ano de 1913, o casal vizinhou por vários meses, apenas com alguns "posseiros" que já habitavam a região. Aos poucos foram chegando outros imigrantes.

Sobretudo, a partir de 1915 e nos anos seguintes, com a demarcação dos lotes rurais pela equipe do engenheiro Frederico Jorge Logemann, outros imigrantes deslocaram-se ao local, que aumentou sua população de maneira rápida, através da comercialização dos lotes de terra da colonização. Estes imigrantes vieram, em sua maior parcela, das denominadas Colônias Velhas estabelecidas em municípios como: Cachoeira do Sul, Montenegro, Lajeado e Estrela. Podemos mencionar entre as famílias precursoras no município: Geraldi, Rossi, Girardi, Benatti, Bonfanti, Stunf, Nass, Briesch, Hamann, Stajack, Jacob, Kamm, Scherer, Knappe, Bless, Pohl, Metzka, Frank, Kochewitz, Willig, Veronese, Rehbein, Logemann, Martini, Cereser, Dockhorn, Schaeffer, Nagel, dentre outros. Estes colonizadores, em sua maior parcela, preferiam terras escuras para sua estada, mais precisamente, na faixa estabelecida próxima ao Rio Buricá, já que receavam o chão vermelho que é um solo que esgota a fertilidade rapidamente. Por este motivo, inúmeros colonizadores estabeleceram-se próximo a localidade de Flor de Maio e sua circunvizinhança, tendo dado a formação da primeira secção Santa Rosa. Neste mesmo momento, o denominado Buricá era o sétimo distrito do município de Santo Ângelo, em correspondência ao Ato Nº 104, de 10 de junho de 1916.

Verifica-se que nos primórdios da colonização, nem todas as comercializações efetuadas no município eram registradas de maneira concomitante. No ano de 1923, Casemiro Kochewitz concedeu determinada área para a construção da sede da Igreja Católica, de maneira quase que simultânea ao feito de Frederico Jorge Logemann, que também havia ofertada determinada área para a construção da Igreja Evangélica, cuja pretensão era de edificar uma igreja e uma escola. Neste momento, podemos constatar que a disposição dos colonizadores voltava-se para o lugarejo, onde hoje está estabelecido o Centro de Três de Maio e não mais para os arredores de Flor de Maio, como ocorria anteriormente. Neste mesmo período, ocorreu a concessão de terras por Emilio Tesche para a instalação de um cemitério pelas comunidades evangélica e luterana, e também à comunidade Católica do município. Posteriormente, houve a demanda pela expansão da área do cemitério, a qual foi ampliada com a exigência de que a referida área se conservasse arborizada.

Posterior aos grandes fluxos imigratórios e ao desenvolvimento de diferentes atividades no local, a exemplo da agricultura, ocorre o aparecimento de casas comerciais no então vilarejo, sendo estas geralmente construídas de madeira. É de grande relevância mencionar nomes daqueles que foram pioneiros em seu ofício no atual município de Três de Maio, a exemplo de: Frederico Willig como ferreiro, Casemiro Kochewitz, Antônio Cereser e Frederico Frank como comerciantes, Pedro Krewer como açougueiro, Ernesto Mullenschlader como médico, Arlindo Ruschel como dentista, Amália Drews como agente postal, Amandio Araújo como juiz de casamentos, Walter Kreher como proprietário de indústria de bebidas e caramelos, Humberto Spilari como ourives, Luiz Giacomelli como advogado, Alma Schaeffer como costureira, Germano Kreutler como primeiro pastor da Igreja Evangélica a residir no município, Padre Gambetti como pároco católico, Augusto Muller e Germano Reimann como mecânicos, Carlos Lupz como padeiro, Albino Schunke como farmacêutico, Pedro Giacomelli como alfaiate, Alberto Martens como proprietário de hotel, Eugênio Schaeffer como funileiro, Emiliano Cassol como carpinteiro, José Gresele como sapateiro, Albino Veronese como telefonista, Ricardo Rusch e Carlos Verri como barbeiros, Rodolfo Nass como motorista de carro de aluguel, Maria Pinzon como parteira, Germano Dockhorn como motorista de caminhão de carga, Jorge Reimann como oleiro e Emilio Boesk como marceneiro.

No ano de 1931, o então vilarejo 14 de Julho, adquiriu sua independência do município de Santo Ângelo, compondo um novo município, Santa Rosa. Buricá passou a ser o segundo distrito do município de Santa Rosa, passando a ser intitulado Santa Rosa-Buricá, em decorrência de seu posicionamento entre os rios: Santa Rosa e Buricá, que no presente momento constituem os rios de maior significância nos diferentes âmbitos ao município. Major Antônio Joaquim Rodrigues foi o primeiro subprefeito do lugarejo, enquanto que Vilarim Rodrigues foi o primeiro escrivão. Os pioneiros na colonização do município eram descendentes de alemães, italianos, poloneses e russos em sua generalidade.

A primeira residência de madeira edificada no vilarejo era posse de Casemiro Kochewitz, enquanto que a segunda residência, também desenvolvida através de madeira era de Frederico Jorge Logemann e estava estabelecida no atual entroncamento entre as avenidas: Uruguai e Santa Rosa. Já a primeira residência de alvenaria e que ainda se encontra no Centro de Três de Maio era propriedade de Leopoldo Vontobel. Em meados de 1940, a população de Buricá já somava 10.670 indivíduos, sendo que precisamente 707 destes residiam no vilarejo. Houve a partir deste momento, inúmeras investidas dos moradores do local com o propósito de exercer um melhoramento nas condições de vida, a exemplo da educação e saneamento básico, sendo estes serviços que deveriam ser ofertados de maneira satisfatória a toda a população. Entretanto, as campanhas emancipacionistas somente se estabelecem a datar de 1948, que após inconstantes lutas que provinham dos líderes emancipacionistas, auferiram o sucesso do movimento no ano de 1954, quando no mês de dezembro, a emancipação concretiza-se oficialmente através da Lei 2526 de 15 de dezembro de 1954. Todavia, a instalação político-administrativa do novo município somente foi possível em 28 de fevereiro de 1955 com a posse do primeiro prefeito, Walter Ullmann. O aniversário do município somente é celebrado no dia 03 de maio, em decorrência do nome do município, o qual supostamente é uma homenagem a Nely Dane Logemann, visto que esta era a data de seu aniversário.